Segundo Enegrecendo - PE

quarta-feira, agosto 19, 2015


Olá pessoal!

Postei aqui o primeiro Enegrecendo PE e hoje, vim trazer a segunda edição desse evento maravilhoso com o tema " Nego que é negro, não nega sua nêga". TODO projeto que fotografo/organizo tem uma intenção muuuito além da estética, e essa segunda edição trouxe mais discussão em torno do amor AFRO CENTRADO.




O número de casais negros tem diminuído exacerbadamente segundo pesquisas realizadas pela Claudete Alves em seu livro "Virou Regra"? , fruto do sucesso de sua tese de mestrado em Ciências Sociais na PUC-SP sobre a solidão da mulher negra, que constata que as mulheres negras são as que menos sobem ao altar e é a maior parte das mulheres que são mães solteiras. Ainda existe um preconceito muito velado em torno da estética negra, seus traços largos, cabelos crespos que ainda são considerados feios e ruins, a objetificação da mulher negra também contribui para sua pouca valorização perante a sociedade.







 Precisamos empoderar nossos casais negros, e nossas mulheres. Chega de rótulos, chega de objetificação, chega de aceitar discursos racistas com a desculpa de "ser cultural", ser "sem intenção"




Depoimento de Maíra: "Bem, me colocarei sob o que vivo sendo negra e mãe solteira. Ser negra e se assumir negra (não falo apenas sobre a aparência) é algo difícil, saber encarar e erguer a cabeça são duas coisas que somos obrigadas a fazer diariamente. Agora pensemos se além do fato citado acima acrescentarmos mais dois: Mulher Negra, mãe solteira e pobre. Com certeza se trata de uma mulher forte e guerreira, que além de se assumir negra tem que ensinar e empoderar o seu filho desde pequeno, principalmente quando se trata da sociedade impor o machismo. A maioria dos homens vêem a mulher negra como um símbolo sexual, e com um filho é como se para eles a porta já estivesse aberta, o que é um pensamento totalmente errado. Acho que um homem negro ou branco que tenha uma vivência e conhecimento dos Movimentos consegue respeitar e admirar bem mais uma mulher negra. Namorei um rapaz negro recentemente e sempre existiram olhares de admiração ou reprovação, como um casal negro a força compartilhada, a resistência e o empoderamento se tornaram bem maiores o que mostra a diferença de quando eu namorei rapazes brancos, no qual o olhar de reprovação era para mim. Se todo preto bem soubesse iria querer uma pretinha do lado. Negro que é negro não nega sua negra. A sociedade ainda não entendeu que o amor vai além da cor, é algo interno e afinal somos todos iguais por dentro."


Vamos desconstruir esses pensamentos racistas de pessoas acomodadas que reproduzem discursos racistas sem refletir sobre o peso de suas palavras, e daqueles que realmente tem a intenção de ser ofensivos. Vamos enegrecer o mundo ♥



"Meu nome é Erika, tenho 21 anos, sou estrangeira, natural de Cabo Verde, um país que se situa na costa ocidental da África. A minha vinda pra cá foi por conta dos estudos e já completei 3 anos e alguns meses aqui. A minha experiência no Brasil tem sido bastante enriquecedora no diz respeito à afirmação da minha identidade negra, uma vez que, só aprendi a valorizá-la aqui depois que ela foi posto em causa. Nunca antes havido pensado da maneira que penso agora, no sentido de valorizar as minhas raízes, meus ancestrais e perceber o quão fomos e somos manipulados pela cultura eurocêntrica. Tudo isso começou quando decidi parar de usar química no meu cabelo e deixá-lo crescer de forma natural e bem do jeito que ele é: crespo, volumoso assim como a mídia não quer e não aceita como " padrão de belo". Pois bem, até hoje tem sido uma luta árdua e diária pois a partir dessa decisão muitas coisas mudarão, fiquei mais atenta ao andar na rua e perceber os olhares de estranhamento e repulsa ao meu cabelo que tanto lhes chama a atenção, aprendi a ver beleza onde não via, a aceitar cada diferença, cor de pele, tipo de cabelo e hoje sinto que sou mais eu depois que fiz essa mudança na minha vida. Quanto aos relacionamentos eu sendo uma mulher negra, crespa e estrangeira é um tanto complicado quando me refiro aos brasileiros, uma vez a maioria dos meus relacionamentos foram com os meus conterrâneos de Cabo Verde e pessoas dos outros países da África. É raro ver mulheres africanas se relacionarem com os brasileiros e sinto na pele isso, pois até agora só me relacionei com um. O que mais me fere aqui é esse racismo camuflado que muitos dizem que não se vê por aqui, mas ela acontece e da mais sórdida e dissimulada, pois ela não é considerada real criando a idéia do tal mito da "democracia racial" democracia racial essa que não existe. Por isso a importância de eventos como esse, e aproveito para parabenizar os organizadores por esse lindo e engradecedor trabalho de valorização e empoderamento da cultura negra. Num país tão miscigenado como Brasil onde a idéia era que o racismo já tivesse sido ultrapassado e as diferenças respeitadas, me deparar com tudo isso foi um choque, mas a luta continua e vamos todos resistir por que negro é lindo, negro é luz. Obrigada."


GRUPO ENEGRECENDO AQUI. 
INGRID RAYSSA FOTOGRAFIA AQUI.

  • Share:

You Might Also Like

4 comentários

  1. Lindos, lindos, lindos, infinitamente lindos. Fico muito feliz com o empoderamento negro, vamos ganhar espaço meu povo <3


    http://blogdajanas.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Cada foto mais linda que a outra. Me apaixonei. ♥
    Só digo uma coisa: PARABÉNS!
    www.blogtodagarota.com

    ResponderExcluir